Zumbido ou perda auditiva que aparecem em um ouvido só, e não nos dois, costumam ter explicações simples — mas fazem parte da lista de sinais que merecem atenção porque, em casos selecionados, podem estar associados a um schwannoma vestibular, um tumor geralmente benigno que cresce devagar perto do nervo que liga o ouvido ao cérebro. Neste artigo, o Dr. Erion explica o que é essa condição, quais sinais merecem investigação, como o diagnóstico é feito e por que nem todo schwannoma vestibular precisa de cirurgia.
O schwannoma vestibular é um dos diagnósticos que mais geram dúvida quando aparecem na frente de um paciente com zumbido ou perda auditiva de um lado só. A boa notícia é que a maioria dos casos de zumbido e perda auditiva não tem essa causa — mas quando o sintoma é claramente assimétrico e persistente, vale entender por que ele entra na lista de investigação.
O que é o schwannoma vestibular
O schwannoma vestibular (também chamado de neurinoma do acústico) é um tumor que se origina na bainha do nervo vestibulococlear — o oitavo nervo craniano, responsável por parte da audição e do equilíbrio. Na grande maioria dos casos é benigno e cresce de forma lenta, ao longo de anos, numa região chamada ângulo ponto-cerebelar, próxima ao tronco cerebral. Por crescer devagar, muitas vezes o primeiro sinal não é dor, mas uma mudança discreta na audição de um lado só.
Sinais que merecem investigação
- Zumbido presente em apenas um ouvido (unilateral), especialmente se persistente.
- Perda auditiva progressiva ou assimétrica — pior de um lado que do outro.
- Sensação de desequilíbrio ou tontura que não se explica por outras causas.
- Sensação de ouvido "cheio" ou plenitude auricular constante em um dos lados.
Isoladamente, cada um desses sinais tem várias explicações possíveis. A maioria dos casos de zumbido ou perda auditiva não está relacionada a um tumor. Ainda assim, quando o sintoma é assimétrico — afeta claramente um ouvido mais que o outro — e não melhora, ele merece uma investigação mais cuidadosa.
Perda auditiva súbita (que se instala em horas ou poucos dias) é diferente de uma perda gradual e deve ser avaliada em caráter de urgência, independentemente da causa.
Como se investiga
A investigação costuma começar com uma audiometria, exame que mapeia a audição de cada ouvido separadamente e ajuda a identificar assimetrias. Quando há suspeita de causa estrutural, o próximo passo é uma ressonância magnética do ângulo ponto-cerebelar com contraste, exame capaz de identificar mesmo lesões pequenas nessa região.
Nem todo schwannoma precisa de cirurgia
Descobrir um schwannoma vestibular não significa que a cirurgia é o próximo passo automático. Por ser, na maioria dos casos, um tumor de crescimento lento, existe mais de uma estratégia de manejo.
A decisão depende do tamanho do tumor, do nível de audição que ainda resta, dos sintomas e da idade e saúde geral do paciente. Em casos selecionados, especialmente tumores pequenos e estáveis, a conduta pode ser observação com ressonância seriada, acompanhando o crescimento ao longo do tempo. Em outros, a radiocirurgia (tratamento focal com radiação, sem incisão) ou a microcirurgia podem ser indicadas. Quando a preservação da audição é um objetivo, ela orienta a escolha da técnica e do momento da intervenção — mas não é um resultado que se possa garantir, e isso deve ser conversado com clareza antes de qualquer decisão. A descoberta precoce, antes que o tumor cresça mais ou comprima estruturas vizinhas, tende a ampliar o número de opções disponíveis.
Quando pedir uma segunda opinião
Como o schwannoma vestibular admite mais de um caminho de tratamento, e a escolha depende de nuances de cada caso, pedir uma segunda opinião antes de decidir é uma atitude razoável, não desconfiança. Trazer a audiometria e a ressonância já realizadas ajuda a tornar essa segunda avaliação mais objetiva.
Se você tem zumbido ou perda auditiva em um ouvido só e quer entender se o caso pede investigação de imagem, vale conversar com um neurocirurgião com experiência em base do crânio, levando os exames já feitos.
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